Desatres que nos encantam, desastres que são esquecidos.

Estamos vendo em todo o mundo, desatres naturais desencadeando perdas de vida e materiais. Será que devemos nos acostumar com isso?

A banalização das trajédias é o grande risco que convivemos  no dia a dia. Sentados confortavelmente na nossa poltrona, assistimos pela TV as cenas do cotidiano, até que as tragédias chegam em nossas vidas.

Muitos dizem que os “desastres naturais” sempre ocorreram e que o aquecimento global é uma teoria para muitos ganharem dinheiro, (pois é eu já li e escutei muito isso).

A verdade é que “desatres naturais” acontecem, os cinquetões como eu tem na lembrança ” A tromba d’água em Caraguatatuba em 18 de março de 1967. Eu estava lá quando a chuva iniciou, foi uma noite de vigilia, muito vento e chuva forte, as telhas das casas se soltavam e fomos colocados para dormir em baixo de “beliches’, de manhazinha meu pai apareceu como do nada (ele estava em São José dos Campos) em seu DKV para nos levar para casa, parece que ele estava advinhando o que iria acontecer.

Caraguatatuba ficou mundialmente conhecida pela dramática catástrofe ocorrida em 18 de março de 1967, quando uma tempestade de poucas horas provocou centenas de deslizamentos nas vertentes escarpadas da Serra do Mar. A serra avançou sobre Caraguatatuba despejando milhares de toneladas de lama e vegetação, as pessoas que moravam às margens do Rio Santo Antonio foram as mais atingidas, muitas mortes, muita dor.

Outro “desatre natural” que me lembro bem foi em Campos de Jordão em 18 de agosto de 1972. Eu estava no Cursinho preparatório para o Vestibulinho da ETEP, quando a notícia chegou:

Era 18 de agosto de 1972 e o relógio marcava 8 horas e 15 minutos. De repente, uma terra negra e turvosa começou a se movimentar , a partir do prédio do antigo  Recanto Infantil Santa Marta, em direção ao casarío de operários, a maioria de madeira, situados em Vila Albertina. Parecia um tsunami de lama negra que revirava e soterrava as moradias, sem possibilidade de fuga pelo imprevisto do desastre.

Foram retirados 10 cadáveres da lama negra que soterrou 24 casas. O DER começou a deslocar equipamento pesado do Vale do Paraíba para a remoção da turfa preta. O Prefeito José Padovan decretou estado de calamidade pública. O engenheiro Nelson Acar, da empreiteira ENPAVI, mobilizou todo o seu equipamento para remoção da terra e a localização de vítimas.

Houvera o deslocamento de 100 mil metros cúbicos de terra, que alcançou a área de 10 mil metros, sendo necessárias 25 mil viagens de caminhões ao longo de 100 dias. Inúmeros geólogos começara a estudar a causa do fenômeno da natureza, concluindo, que pela primeira vez no Brasil constatou-se a existência de mais de 80% de água, incluindo a existente na matéria orgânica, em um terreno e, provavelmente, a vibração de um trator que fazia aterro nas proximidades, tenha contribuído para facilitar mais ainda a liquefação da lama, com o rompimento da fina crosta de solo firme e seco, e com isso, a lama e o restante da areia,silte e argila, deslizaram repentinamente, provocando o acidente.

Algumas casas flutuaram como se fossem jangadas percorrendo a distância de mais de 200 metros. A coloração preta e o aspecto amontoado de materiais, lembrava um derrame de lava aglomérica. Na véspera, o peso do aterro que vinha sendo feito, somado á vibração ocasionada pelo trator que trabalhou na terraplenagem, além do alto teor da água na lama foram as causas do desastre.

O professor André Gavino, mestre de Geofísica da USP declarou: “A natureza sempre reage contra investidas dos homens. Nela, nada podemos tirar sem conhecer a fundo as conseqüências de cada ação. Em Campos do Jordão, a natureza cobrou o preço da devastação da cobertura vegetal das obras, cortes de terreno, etc”. Os geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, Guido Guidicini e Carlos Nieble informaram que há no Brasil o registro de um único caso de corrida de terra, foi o que ocorreu em Vila Albertina, em Campos do Jordão. A terra escorreu sobre as casas ao longo  700 metros em cerca de 30 minutos. Houve registro das chuvas intensas e contínuas nos dias anteriores ao desastre.

À construção de um aterro sobre argilas orgânicas saturadas, pode-se atribuir e desencadeamento do desastre. (fonte Dr. Pedro Paulo Filho).

Muitos outros “desastres naturais’ aconteceram, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e aí vai.

Não me sai da cabeça questões relativas a estes fatos (como eu disse a Media registra tudo), porque com tanta dor e perdas para relatar, políticos “sobrevoando áreas atingidas” surgem com “discursos demagógicos” e nós assistindo a TV balançamos a cabeça indignados (pena que a indignação dure poucos minutos, certos de que estamos sendo enganados novamente) voltamos à vida e deixamos para lá toda a tristeza momentânea. Muitos dizem que é porque  a índole do brasileiro é boa, somos divertidos, a “bunda”, “cervejinha” o “carnaval” são nossos Símbolos Nacionais.Verdade! Mas o povo brasileiro é trabalhador, sofrido só falta uma coisa, exercer mais a cidadania. Deus não é somente brasileiro, ele é de todos os povos.

Um paraíso devastado – Tragédia em Angra dos Reis

Angra dos Reis – Um paraíso devastado, Ilha Grande a mata era protegida, choveu muito, esperamos que não chova mais. Apesar de ser uma área protegida e bem cuidada, devemos rever a política de habitação de faixa de Marinha no Brasil. Pousada Sankay – Praia do Bananal. As perdas humanas são as mais sentidas.

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