AQUA lança selo habitacional

Manuel Martins

Entrevista com Manuel Martins

 

A Fundação Vanzolini está apresentando ao mercado a nova versão da certificação Alta Qualidade Ambiental: é o selo AQUA Habitacional, destinado às moradias populares e, também, ao setor imobiliário e unidades unifamiliares. O professor Manuel Martins, Coordenador Executivo do Processo AQUA, em entrevista ao AECweb, conta que 80% das novas edificações sociais na França contam com o selo. Aqui, a receptividade de órgãos como a CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano – e das construtoras tem sido muito boa. Segundo ele, há três propostas de prédios residenciais em análise e muita expectativa de crescimento. Nas modalidades lançadas em abril de 2008, foram certificados sete empreendimentos comerciais, de escritórios, escolares e de hotéis e centros de lazer.

AECweb – Quais as características do selo AQUA Habitacional?
Martins -
A nova certificação AQUA exige um sistema de gestão do empreendimento para garantir o controle total do projeto, de modo a obter os desempenhos planejados. Os critérios de desempenho estão distribuídos nas mesmas 14 categorias do AQUA para edifícios de serviços, envolvendo os conceitos de conforto, saúde e meio ambiente. Mas, com algumas peculiaridades próprias da habitação como temperatura, ruído e conforto visual.

AECweb – Poderia exemplificar?
Martins -
No AQUA Habitacional, fica mais explícita a questão da acessibilidade e sua norma técnica. Nesta versão, passa a ser exigido o uso de equipamentos com etiquetagem Procel, como os de água, de iluminação, de aquecimento e resfriamento de ar. A etiquetaquem Procel é orientativa, permitindo ao consumidor escolher o que melhor lhe convém. No AQUA, nós usamos a escala de etiquetagem como critério de desempenho Bom, Superior e Excelente. E, assim que a norma Procel Edifica Habitacional for criada, deveremos incorporá-la a esta versão do AQUA.

AECweb – A nova versão faz referência à Norma de Desempenho de Edificações?
Martins -
Alguns parâmetros, como os relativos a temperatura, iluminação e ruído, fazem referência à Norma de Desempenho de Edificações Habitacionais de baixa altura (NBR 15575). Esse documento é uma referência bastante útil e vem ao encontro do referencial técnico AQUA, que é considerar como mínimo o nível regulamentar e normativo, desde que haja regulamentação de normas razoavelmente exigentes.

AECweb – Há referências, portanto, a três normas técnicas?

Martins – Em energia, o AQUA Habitacional faz referência ao selo Procel para equipamentos. Em conforto térmico, acústico e visual, utiliza a Norma de Desempenho, e em acessibilidade e disposições de cozinhas e banheiros, remete à Norma de Acessibilidade.

AECweb – Para qual segmento residencial se destina o novo selo?
Martins -
Olhando um pouco o exemplo francês, 80% das construções novas para fins sociais são certificadas pelos nossos parceiros com o selo HQE. É um número imenso! Temos no Brasil, de um lado, uma situação de necessidade habitacional, de desenvolvimento e capacidade de investimento. De outro, pela maneira como a norma foi estabelecida – é um referencial técnico que lida desempenho e não soluções pré-determinadas – somada ao interesse na qualidade da habitação popular, acredito que seja um campo de grande potencial de aplicação da certificação do processo AQUA.

AECweb – A certificação deverá atrair, também, o mercado imobiliário?
Martins -
Nossa expectativa é que o AQUA Habitacional certificará tanto edifícios residências, quanto conjuntos habitacionais unifamiliares. Claro que os empreendimentos privados de classe média têm interesse, até mesmo de apelo ao consumidor, pois vão poder demonstrar sua capacidade de maior economia de água e energia, entre outros itens, gerando menor custo de condomínio e maior valor patrimonial.

AECweb – Essa conta já foi feita pela Fundação Vanzolini?
Martins -
Não fizemos o cálculo de redução de consumo, porque estamos começando agora a implementar a certificação habitacional. O próprio Estado que está promovendo o uso de aquecimento solar de água, não fez a conta. Mas precisa ser feita porque vai indicar para o usuário o quanto mais fácil será manter a sua habitação, principalmente nas faixas populares.

AECweb – Em outras palavras, o quanto vai ficar mais cara a construção?
Martins -
Esse cálculo envolve mais do que números, envolve uma reflexão. Veja: a comparação de uma obra mais sustentável, portanto, ‘melhor’, usa como referência uma construção entre ‘pior’. Até quando a convencional – ou, ‘pior’ – vai ser referência? À medida que a construção evoluir, a referência também muda. Vejamos o caso da unidade da Leroy Merlin, de Niterói, que obteve o selo AQUA recentemente (veja matéria sobre esta obra). O custo da obra foi 8% superior às convencionais, com ‘payback’ de seis anos. O mesmo cálculo para as novas lojas, já não terá por base aquilo que faziam antes, porque nunca mais vão construir no patamar não sustentável. É uma decisão empresarial.

AECweb – Perderá, então, o sentido do comparativo?
Martins -
Se lembrarmos que a filosofia do processo AQUA é uma boa arquitetura e um bom projeto, talvez, um dia, a construção civil atinja uma condição em que terá mais sentido falar em quanto custa a mais fazer sustentabilidade. No entanto, hoje, é uma preocupação válida. No caso das construções sociais, a questão do quanto custa a mais quem vai investir é o Estado e quem vai colher os benefícios é o usuário. Gastando menos para manter sua habitação, ele poderá manter mais facilmente a qualidade de vida de sua família. E isso representa uma garantia maior de que vai continuar pagando o financiamento. Por outro lado, o Estado vai economizar em infraestrutura com o aproveitamento dos resíduos, em energia e água. E, se fizer um bom planejamento urbano, estará usando melhor o dinheiro que é da sociedade.

AECweb – A Fundação Vanzolini já se sentou na mesa com a CDHU?
Martins -
Sim, com a CDHU, em São Paulo, e com a Secretaria de Habitação de Cubatão. Estamos procurando outros interlocutores para prosseguir nessa conversa. A receptividade é boa, mas ainda não se traduziu em ação. Não deixa de ser uma cultura nova e até que os agentes se acostumem com a idéia – que vale a pena, dá resultados – da construção sustentável avaliada, comprovada, certificada, leva um tempinho.

AECweb – As construções particulares unifamiliares também poderão ter o AQUA Habitacional?
Martins -
Tenho constatado o interesse principalmente de profissionais da arquitetura, com quem estamos conversando bastante. Nesses casos, a referência normativa é a mesma, o que muda um pouco é o processo, pois não se trata mais de um conjunto habitacional, mas de uma unidade. A questão é identificar quem quer mostrar para as partes interessadas que aquela unidade segue os critérios de sustentabilidade. Talvez não seja tanto proprietário, embora ele possa se beneficiar numa futura venda ou locação, mas o próprio profissional para mostrar que os projetos que produz são certificados pela Alta Qualidade Ambiental.

AECweb – Como o empreendedor se beneficia com o novo selo?
Martins -
O empreendedor pode mudar a qualidade do seu portfólio, se incluir o processo do AQUA desde a fase do programa do edifício. Isto não implica, necessariamente, maiores investimentos, porque, se de um lado ele vai investir um pouco mais no projeto arquitetônico, na implantação no terreno, na envoltória e em demais características; por outro lado, ele poderá economizar em outros sistemas prediais. Essa visão do empreendedor de pensar o AQUA desde o início, trará mais resultados com menos investimentos, e permitirá comprová-los para o mercado.

AECweb – O AQUA Habitacional já tem candidatos à certificação?
Martins -
Recebemos três propostas de edifícios habitacionais, destinados à classe média, sendo um no nordeste e dois em São Paulo.

 

Fonte: Redação AECweb

Painel Solar Fotovoltaico, oque é?

Painel Fotovoltaico

Painel Fotovoltaico

Painéis solares fotovoltaicos são dispositivos utilizados para converter a energia da luz do Sol em energia elétrica. Os painéis solares fotovoltaicos são compostos por células solares, assim designadas já que captam, em geral, a luz do Sol. Estas células são, por vezes, e com maior propriedade, chamadas de células fotovoltaicas, ou seja, criam uma diferença de potencial elétrico por ação da luz (seja do Sol ou não). As células solares contam com o efeito fotovoltaico para absorver a energia do sol e fazem a corrente elétrica fluir entre duas camadas com cargas opostas.[1] Atualmente, os custos associados aos painéis solares tornam esta opção ainda pouco eficiente e rentável. O aumento do custo dos combustíveis fósseis, e a experiência adquirida na produção de células solares, que tem vindo a reduzir o custo das mesmas, indica que este tipo de energia será tendencialmente mais utilizado.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Tecnologias ”verdes” atraem capital de risco

O ambiente de investimentos em tecnologias verdes está cada vez mais próximo do que existe na informática, com milhares de empresas surgindo com produtos inovadores ao redor do globo e um grande interesse dos investidores, mesmo com a crise global.

“O setor já é o segundo que mais atrai capital de risco no mundo, depois da tecnologia da informação”, afirmou ontem Richard Youngman, diretor-gerente para a Europa da consultoria Cleantech, durante a World Conference of Science Journalists, em Londres. “Cerca de um quarto do investimento de risco vai para tecnologias limpas.”

Um grande impulso para o setor vem de legislações e regulamentos que estão sendo criados por governos ao redor do mundo para a adoção de uma matriz de energia mais sustentável. “Somente 3% da energia gerada no mundo é renovável”, disse Jeremy Leggett, presidente da Solarcentury, empresa britânica especializada em sistemas de energia solar. “Este ano, os projetos de fontes renováveis devem receber cerca de 15% do investimento de US$ 1 trilhão que será feito em energia.”

Para Leggett, o setor alcançou um ponto de inflexão. “Se tivermos imaginação, é possível fazê-lo”, acrescentou o empresário. “Num período de 12 a 15 anos, o mundo poderia funcionar com 100% de energia renovável.”

As metas dos governos, no entanto, são mais modestas. A União Europeia aprovou recentemente a meta de usar 20% de energias renováveis até 2020, com pelo menos 10% nos transportes. Atualmente, o uso de combustíveis renováveis na Europa está em cerca de 1%.

“A meta dos transportes será atingida principalmente por biocombustíveis, e precisaremos importar a maior parte deles”, disse Giovanni de Santi, diretor do Instituto de Energia da Comissão Europeia. Ele acrescentou que a Europa trabalha em critérios de sustentabilidade que irão nortear a produção dos biocombustíveis que irá consumir. “É preciso levar em conta os efeitos secundários”, disse Santi. “Os biocombustíveis não devem causar desmatamento ou reduzir a área dedicada à produção de alimentos.”

Segundo ele, esses critérios podem ser definidos nos próximos meses, e existe uma negociação no âmbito do Grupo dos Oito (G-8) para que sejam definidos critérios mundiais de sustentabilidade. A União Europeia planeja investir, nos próximos 10 anos, de 40 bilhões a 60 bilhões em pesquisa e desenvolvimento em energias renováveis.

Um estudo apresentado por Santi apontou uma redução de mais de 80% na emissão de gases do efeito estufa e de quase 100% no uso de combustíveis fósseis com o uso do etanol de cana-de-açúcar. “O etanol de cana-de-açúcar é a tecnologia mais eficiente de primeira geração”, reconheceu o diretor do instituto europeu.

A segunda geração do etanol, que ainda não é comercialmente viável, será produzida com matérias-primas que não servem de alimento, como madeira, folhas e bagaço de cana.

 

Fonte: jornal O Estado de São Paulo

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