15 15UTC outubro 15UTC 2011
Fui alfabetizado no Grupo Escolar Olimpio Catão em São José dos Campos.
A professora foi a Dona Ilka, queridíssima, amadíssima, minha primeira professora.
Utilizamos a “Cartilha”, “Caminho suave”.
O caminho para os mestres não tem sido nada suave, sem querer fazer trocadilhos.
De 1963 para cá, muita coisa mudou, o mundo mudou, o ensino mudou, todos mudamos.
Não vou replicar aqui o que todos sabemos e acompanhamos pelas mídias, hoje não! Hoje é o dia do professor. Quero lembrar com carinho de todos os mestres que tive, e que fizeram parte da minha vida, minhas tias, meus tios, Manacordas distantes, como é bom ter Educadores com o meu sobrenome, isso dá um orgulho danado, já li depoimentos de professoras que escrevem; “não consigo largar o meu Manacorda” (calminha nessa hora), elas estavam falando do livro HISTORIA DA EDUCACAO – DA ANTIGUIDADE AOS NOSSOS DIAS – Autor: MANACORDA, MARIO ALIGHIERO.
Não só Manacordas, mas os Souzas, os Dadault, os Leme, os Ferreiras, os Carnevalli, todos Educadores. Teve um, se vocês me permitem eu gostaria de prestar uma super homenagem, Antonio de Souza, mais conhecido como Tio Tunico, figura mais que querida, um anjo que caiu do céu para colocar na linha esse camarada aqui. Vivi com ele em um quarto mobiliado com uma escrivaninha, um armário, duas camas, um rádio de cabeceira, uma moringa, e muito amor e gentileza. O banheiro era fora, o chão de cimento, de acordo com a simplicidade que era a vida do Tio Tunico. Eu tinha nove anos estudava na escola da Tecelagem Paraíba, a professora se chamava Dona Tercilia, um amor de professora. Mas vamos voltar para o Tio Tunico; ele estava aposentado nessa época mas no passado foi Educador, professor e Diretor de escola, em um período nada bom da história da humanidade, segunda guerra mundial. O Tio nessa época nefasta era diretor de uma escola em Adamantina seus alunos a grande maioria Nissei, filhos de Japoneses, foram perseguidos como foram os pais meus avós italianos (isso é outra história). Era Presidente do Brasil o Getúlio Vargas e uma ordem foi expedida para enviar os Japoneses e seus descendentes para um campo de concentração (sim aqui tivemos nossos campos de concentração) http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_das_Cobras_(Rio_de_Janeiro). Pois bem, o Tio Tunico foi ao Palácio Guanabara falar com Getúlio e fez um acordo para que seus alunos e seus pais permanecessem em suas casas, sendo ele o responsável, e Getulio assentiu positivamente. O tempo passou e Tio Tunico voltou para sua terra natal São José dos Campos, já aposentado teve seu maior desafio, colocar esse camarada aqui na linha (tarefa mais difícil do que interpelar o Getúlio, acreditem). O seu aniversário era dia 13 de Junho dia Santo Antonio, daí o nome Antonio, ora pois. Neste dia o portão da rua D. Pedro II, número 170 era muito visitado pelos seus ex-alunos com suas famílias que respeitosamente o reverenciavam, foi assim que eu aprendi a importância do Mestre em nossas vidas e na da Sociedade, com sua morte precoce dois anos mais tarde voltei a morar com meus pais e a vida continuou.
Tio Tunico era meu Tio avô por parte de mãe, meu anjo da guarda, meu amigo.
Neste dia 15 de outubro, comemora-se o dia do Professor, eu me curvo e os reverencio e que a Sociedade faça o mesmo, reconhecendo o esforço dos Sacerdotes da Educação que lutam pela formação dos brasileiros de hoje e de amanhã.

Sem eles o Show não rola
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