Por que temos tragédias causadas pela chuva todo início de ano?
14 de janeiro de 2011 1 Comentário
Essa é uma questão complexa, mas é só olhar em volta que encontramos respostas.
Janeiro é época de chuvas no Sudeste, isso todos sabemos, fotos de satélites e o pessoal do INPE vem mostrando que a água no Oceano Pacífico esta mais fria e a água do Oceano Atlântico mais quente e por isso se forma a tal frente de convergência do Atlântico Sul, formando uma estrada de nuvens favorecendo o acumulo de nuvens e dificultando sua dissipação na região Sudeste do Brasil.
Ok! Sabemos a origem das fortes chuvas! Mas por que o número de mortes é tão grande?
Vamos olhar ao redor novamente.
Casas dependuradas nos morros, desafiando as leis da física vão se escorando umas nas outras pregadas ao solo como se fossem caixas de fósforos empilhadas. Lugares que jamais chegará a infra-estrutura urbana. Lixos vão sendo “armazenados” nas encostas e levados pelas primeiras águas. O solo encharcado, remexido pela ação do homem no sonho de ter seu canto para morar, a mata de cobertura original arrancada para dar lugar às precárias moradias torna-se uma colcha de retalhos sem sustentação esperando a primeira chuva forte para fazer suas vítimas, e ela virá nas águas do verão.
Mas quantos são os moradores? Quantos em cada casa? Somente os vizinhos sabem. O poder público não conhece e nem tem as informações necessárias para o atendimento de emergência. Acontece a tragédia. A solidariedade é que surge primeiro, vizinhos é que vão dar os primeiros socorros. Em seguida aparecem os Bombeiros e os milagres vão acontecendo, no meio do caos surge uma vida salva dando alívio e sentido ao trabalho de voluntários.
Passado horas do desastre depois que a Mídia esta com seus “holofotes” ligados, vão surgindo os poderes constituídos, lamentando, prometendo ações para o futuro. Mas muitos não terão mais futuro.
As explicações começam a brotar, e a chuva fortíssima leva toda a culpa, porque pega mal culpar os mortos por terem invadido áreas que não poderiam ser habitadas.
Mas a verdade é que o número de vitimas é enorme porque não temos planos de evacuação e atendimento à catástrofe.
Muitos subúrbios de Brisbane continuam tomados pela inundação, que começou em dezembro e afetou uma área do tamanho da África do Sul, no Estado de Queensland (nordeste australiano). As chuvas deixaram 20 mortos e 53 desaparecidos, afetando 86 localidades.
Na região serrana do Rio de Janeiro já chega a 500, esse número será ultrapassado devido à quantidade de pessoas desaparecidas.
Queensland possui plano de contingência e analise de riscos para mitigar catástrofes naturais, essa é a grande diferença se comparado o número de mortos entre as duas tragédias. Sem falar que Brisbane é uma das maiores cidades da Austrália.



A chuva ainda não deu trégua, o sol não raiou
As pessoas ainda juntam os cacos do que restou
É preciso força para retomar a vida, o mundo
Depois de se perder quase tudo num segundo
Tragédia natural não é exclusividade, é verdade…
Por que, então, sofremos mais com as tempestades?
Deus é brasileiro, não temos terremotos nem furacão
Mas pecamos no planejamento, vontade e organização
Portugal passou por suplício como o que se apresenta
Em falecimentos, só 10% daqui: pouco mais de quarenta
Na terra que zombamos ter pouca inteligência
Governos dão de goleada quando há urgência
A Austrália, do outro lado, foi ainda mais exemplar
Como mostrou, na TV, um brasileiro que lá foi morar
Eles monitoram o nível dos rios com grande precisão
Por carta, avisaram todos com 24 horas de antecipação
Mas aqui o relevo é outro, uns dirão
Por si só não justifica, não é explicação
Populismo, impregnado, responde por esse mal
Ah, se nossa inteligência fosse a de Portugal…
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